quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Monumento a um jovem monolito



Aos completar trinta anos, você ganhará os olhos duros dos sobreviventes. Só verá sua amada na parte da manhã e da noite, só encontrará seus pais de vinte em vinte dias. E quando seus velhos morrerem, você ganhará um dia de folga para soluçar e gritar que deveria ter ficado mais próximo deles. Sorria, você é um jovem monolito e a vida vai ser pedrada. O trabalho é uma grande cadeia e você sentirá muito alívio por ter uma. A cadeia engrandece o homem. E o sangue do dinheiro tem poder. Reze. Reze ajoelhado por uma carreira, dê a sua vida por ela. Viva como todo mundo vive, você não é melhor que ninguém. Porque o dinheiro move montanhas, o dinheiro é a igreja que lhe dará o céu. Sorria, você é um jovem monolito e o mundo é uma pedreira. Eles irão moer você todinho. De brinde, muitos domingos para chorar sua falta de tempo ou operar uma tendinite. Nas terríveis noites de domingo, beba. Beba para conseguir dormir e abraçar mais uma monstruosa segunda-feira. Aquela segunda-feira que deixa cacetes moles e xoxotas secas para sempre. A vida é uma grande seca, mas ninguém sente calor: Nas salas refrigeradas, seus colegas de trabalho fabricam informação e, frios, sonham com o dia dez do próximo mês. Você é o Babaca do Dia Dez, não há como mudar o seu próprio destino. Babaca que acorda assustado, porque ninguém deve atrasar mais de vinte e cinco minutos. Eles descontam em folha e você é refém da folha, do salário, do medo. Ninguém tem o direito de ser feliz, mas você ganhará a sua esmola de seis feriados por ano. E todos nós vamos enfrentar, juntos, um imenso engarrafamento até a praia. Para fingir que ainda estamos vivos. Para mostrar que ainda somos capazes de sentir prazer. Para tomar um porre de caipirinha sentado em uma cadeirinha de praia. É uma grande solução. E você ainda ganhará quinze dias de férias para consertar a persiana, pagar contas, fazer uma bateria de exames. Ninguém quer morrer do coração, ninguém quer viver de coração. Eu não duvido da sua capacidade de vencer: Lembre disso no primeiro divórcio, no primeiro infarto, no primeiro AVC.

(Texto tirado do Blog dos Malvados, do André Dahmer, de quem sou fãzona)

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Twit com mais de 140 caracteres sobre a mídia e os conflitos nas favelas brasileiras

A grande mídia só entra na favela pra produzir sensacionalismos e estigmatizar os favelados como criminosos. Não querem resolver seus problemas. E quando um desses jornalistas que nunca mostrou interesse em favelado - e não conhece a dinâmica do lugar - sobe o morro atrás de conteúdo apenas pra vender jornal enquanto o sensacionalismo atrai atenção da classe média amedrontada, os caras reconhecem na hora... E aí dá nisso http://migre.me/9Jyo

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O analfabeto político

Posto aqui um texto bastante conhecido do Bertolt Brecht, que vem muito a calhar. Temos visto vários escândalos envolvendo nossos políticos e o que mais se tem é pessoa dizendo que pouco se importa pra política, e QUE NÃO TEM NADA A VER COM O QUE ESTÁ ACONTECENDO.

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe,
da farinha, da renda de casa,
dos sapatos, dos remédios,
dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e enche o peito de ar
dizendo que odeia a política.

Não sabe, o idiota,
que da sua ignorância política
nasce a prostituta, o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
aldrabão, o corrupto
e lacaio dos exploradores do povo.


Foto de Bertolt Brecht - Divulgação

domingo, 13 de setembro de 2009

"Father and Daughter"



LINDO.

Animação do holandês Michael Dudok de Wit, que ganhou diversos prêmios quando foi lançado, em 2000, incluindo o Oscar de 2001 de Melhor Curta Animado.

Sinto saudades do meu pai... (e de todo restante da minha família)

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Fragmentos ricos como a natureza amazônica



Acabei de ler o livro A Cidade Ilhada, de Milton Hatoum, lançado em fevereiro deste ano pela Companhia das Letras. O livro reúne 14 contos, dos quais seis são inéditos. Os outros foram publicados em jornais, revistas e coletâneas no Brasil e/ou no exterior.

Os contos de Milton Hatoum são ambientados em diferentes cidades, Paris, Barcelona, Berkeley, Rio de Janeiro... Mas é em Manaus e em toda a região amazônica que a maioria de seus diversificados personagens vivenciam suas tramas. Devido a isso, Hatoum nos passa detalhes da magnitude, riqueza e singularidade da Amazônia, e de forma muito sensível e humana. É um olhar genuinamente amazonense, que entende a dinâmica de sua terra natal, diferente do olhar de fora, que muitas vezes se perde em estereótipos e clichês dessa região ainda misteriosa e mística para tantos (inclusive para mim).

Com essa percepção humana, Milton Hatoum escreveu este trecho em um dos contos:

“... [Eu] divagava. E já não era jovem. A gente sente isso quando as complicações se somam, as respostas se esquivam das perguntas. Coisas ruins insinuavam-se, escondidas atrás da porta. As gandaias, os gozos de não ter fim, aquele arrojo dissipador, tudo vai se esvaindo. E a aspereza de cada ato da vida surge como um cacto, ou planta sem perfume. Alguém que olha pra trás e toma um susto: a juventude passou.”

Eu podia ter pego vários outros trechos exemplares da sabedoria despretensiosa do autor. No entanto, reproduzi esse – que não fala dos rios e florestas da Amazônia – mas sim da brevidade da juventude de forma que me faz ter medo de talvez perder a oportunidade de viver minha fase jovem “como se deve”, e daqui a pouco tomar um susto e repetir: minha juventude passou. Mas será mesmo que se tem uma regra, um modelo único para isso?? Acho que todos da minha idade vivem com esse impasse.

Para se pensar ou tomar conhecimento sobre várias outras questões, A Cidade Ilhada se faz ideal. Enxuta e direta, porém rica, a narrativa de Milton Hatoum faz dos fragmentos do cotidiano pílulas de reflexão e poesia ricas como a natureza da nossa Amazônia.


Foto de Milton Hatoum - Divulgação

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Fim do fumo passivo em locais públicos



A partir de meia-noite desta sexta-feira (7) começa a valer, aqui em São Paulo, a Lei Anti-fumo. Sancionada em maio pelo governador José Serra, a lei proibe fumo em locais fechados de uso coletivo -- seja público ou privado. Quem tem esse péssimo hábito não poderá fumar sequer em lugares parcialmente fechados, em que haja divisória, teto ou telhado, ainda que provisórios ou com parede em um só dos lados. Ou seja, só poderá fumar em bares, lanchonetes e restaurantes que possuírem mesas na calçada, desde que o ambiente seja todo aberto.

De acordo com uma pesquisa feita pelo Governo de São Paulo, 88% dos paulistas concordam com a medida. Até alguns meses atrás, se ouvia muitas pessoas dizerem que a lei "não ia pegar". Felizmente, o que se vê na cidade hoje é uma mobilização por parte de todos os tipos de estabelecimentos para se adequar às novas regras.

A população está consciente de que a mudança veio a fim de preservar a saúde de quem não fuma, mas que muitas vezes tem de frequentar, ou mesmo trabalhar, em locais onde haja fumantes. Afinal, morrem em média sete pessoas por dia devido ao fumo passivo no Brasil, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer).

Não preciso nem dizer que sou super a favor da lei, né? Assim que me mudei pra cá, (além da animosidade no trânsito e da falta de respeito com a faixa de pedestre) fiquei chocada com a quantidade de fumantes existentes nessa cidade. Somado a isso, o fato deles soltarem suas baforadas em qualquer local de bar, boteco, café ou restaurante me incomodava ao extremo.

Cidades como Curitiba e Brasília já adotam a medida de não fumar em locais fechados há anos. E, pelo menos na minha cidade natal, a adaptação foi gradual e satisfatória (apesar de se permitir fumar em locais semi-abertos). Torcemos para que dê certo aqui também o quanto antes.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Enquanto não apareço....

Trabalho + freela + visitas atrás de visitas = poucas postagens.

Prometo que em breve postarei algo pra vocês. Tá faltando um texto sobre política, né... eu sei. Ele virá!

Enquanto isso, divirtam-se com a música The Paper Bride, da banda francesa Poni Hoax, que eu gosto muito. A música faz parte do último CD, Images of Sigrid. Aconselho este álbum (que obviamente eu tenho) a todos que adoram quando a mistura de rock com eletrônica forma um som elegante e com pegada forte.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Cabelos à prova do inverno




[Segue abaixo um texto bem legal que eu fiz sobre beleza]


A estação mais fria do ano não é momento apenas de finalmente usar aquela bota linda ou os sobretudos e cachecóis chiquerérrimos que ficam boa parte do ano guardados no armário. Junto com o inverno, vem a preocupação em proteger as nossas madeixas do frio e da pouca umidade, característicos da estação. Para mantê-las longe de danos como ressecamento e queda, a cabeleireira Marisa Satie Fugifara, declara: os cabelos exigem uma série de pequenos cuidados que devem ser tomados diariamente. “A principal medida é evitar o uso de água quente para lavar os cabelos”, afirma Marisa, que reconhece que este é o período em que mais temos vontade de tomar um banho bem quentinho.

A dermatologista Fabiana Mesquita de Carvalho explica que, ao lavar o cabelo com água em alta temperatura, o fio resseca e, por consequência, há um aumento da oleosidade do couro cabeludo pelas glândulas sebáceas. “O excesso de gordura pode causar dermatite seborreia – mais conhecida como caspa. Se não for tratada, pode evoluir até para queda de cabelo”, alerta Fabiana.

Outro vilão dos nossos cabelos é a poluição, que aumenta sua concentração durante a estação fria. “Com alto índice de poluição, pode haver acúmulo de resíduos no fio capilar, deixando-o opaco, quebradiço e, em casos mais graves, causar dermatites, que são alergias no couro cabeludo”, esclarece a dermatologista.

O que fazer, então, pra manter os cabelos sempre bonitos, saudáveis e sedosos? Marisa Satie Fugifara aconselha a sempre aplicar protetores térmicos nos cabelos antes de usar secadores ou chapinhas, para “proteger os fios e ainda proporcionar brilho a eles”. Aliado a isso, fazer hidratações a cada 15 dias. E Fabiana Mesquita finaliza: “Além de lavar os cabelos em água morna, quase fria, é essencial ter uma alimentação rica em verduras e frutas e ingerir bastante líquido”.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O dia do Rock'n'roll

Hoje é dia do Rock'n'roll. O estilo que, mesmo depois de 70 anos de existência, depois de tantas gerações diferentes entre si, ainda tem o poder transgressor e agitador em sua essência, nascida do blues e dos músicos negros. Da voz que queria berrar liberdade, berrar mudança. É a arte que tomou projeção mundial com Elvis, que, apesar de genial, vendia uma expressão já existente nos de pele "preta".

É a arte do contestador, daquele que enxerga a realidade, mas quer trazer a utopia praquele segundo que a burocracia vacilou.

É a arte do sensível que percebeu as mazelas da tradição e do conservadorismo. Mas que reconhece superioridade frente a eles.

É a arte da dança obscena de Elvis. Da batida como terremoto dos Beatles. Da figura andrógena e sensual do Mick Jagger. Do soco na cara confortavelmente dormente e lisérgico do Pink Floyd. Da válvula de escape que Led Zeppeling quis criar na década de 70 tão propícia a revoluções. Do doloroso pedido de abertura de mente de Fred Mercury. Dos prazeres vazios do trio do Nirvana. E da melancolia tão dolorosa do Radiohead, que pede por um sentido em toda essa bagunça contemporânea; a arte da essência subjetiva que se transforma em ondas em pleno mar vazio.

O Rock'n'roll nada mais é do que isso. A fagulha de desespero explodida num mundo que apela em se mostrar certo e agradável. Em seu conceito máximo, é a Zona Autônoma Temporária, de Hakim Bey! É o momento de extravasar a energia acumulada de querer mudar a SUA realidade.

E essa força sempre vai existir. O Rock nunca morrerá até que tenha um representante que leva em sua veia a vontade de contestar o que sente e o que vive. E VIVA O ROCK'N'ROLL!!





quarta-feira, 1 de julho de 2009

O rei do pop em minha vida

Capa do álbum Thriller (1982) - o mais vendido na história

Acho que não há uma pessoa sequer com o mínimo contato midiático que não tenha visto, à exaustão, falar sobre Michael Jackson na última semana. Desculpem, mas serei mais uma a contribuir com a overdose de Michael.

A maioria das pessoas da minha geração teve contato com a fase já decadente do cantor. Michael era aquele negro que ficou branco misteriosamente (afinal, o papo de vitiligo nunca pegou); era o que tinha a cara parecida a de um palhaço tirado de algum filme trash; era o astro que só era notícia por suas idiossincrasias e escândalos. Ou seja, tivemos contato com o Michael bizarro, o zumbi. Um astro que se sustentava apenas no que ele havia sido em um passado não muito distante.

Mas eu tinha um carinho especial por este cantor, que também era compositor, produtor, ator e O bailarino. Tive oportunidade de conhecer seus hits tão melódicos e dançantes ainda pequenininha, quando acompanhava minha tia Alba – que morava comigo em Brasília – escutar as canções do astro pop numa altura que a tornava famosa em nosso edifício em Taguatinga. E eu adorava aquilo. Sou muito certa de que a contribuição de Michael Jackson no meu passado foi essencial, dentre outras referências, pra eu ter me tornado uma viciada em música. Em especial em música eletrônica. Afinal, foi de Disco, Rhythm & Blues, Soul e Funk – consagrados na arte de Michael – que surgiram os ritmos eletrônicos contemporâneos, como o House, o Techno e o Electro.

A consequência desse contato na infância foi a sorte de me manter escutando o rei do pop até os dias atuais, ainda que não fosse o cara que apareceu entre os dez primeiros da Billboard nos últimos anos, nem o que era tocado nas festas e boates que eu frequento.

E não vou finalizar este post com um dos excitantes e adorados videoclipes dele, repetidos infinitas vezes na TV. Mas, sim, com... um Tutorial do Moonwalk!! (Como passei anos da minha vida tentando fazer esse passo...)